Grandes são os abismos, poucas são as pontes….

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Uma ponte em Oxford. Todos os direitos reservados.

Neste final de Janeiro, terminei  a leitura de “Retorno a Brideshead: Memórias sagradas e profanas do Capitão Charles Ryder”, escrito pelo Britânico Evelyn Waugh e publicado em 1945. O livro foi enviado pela TAG livros,  com a curadoria de Luis Fernando Veríssimo.

A história se passa num período entre as duas grande Guerras Mundiais e trata das lembranças de Charles Ryder, ao longo de seu intenso envolvimento com uma decadente família da aristocracia inglesa.

Levo comigo várias reflexões, mas destaco duas:

1) Charles demonstrou que vivemos em “mundos dentro de mundos”. No fundo, mesmo cercado por uma multidão, somos apenas almas solitárias. Muitos são os abismos,  poucas são as pontes…

2) De forma perceptível ou não, somos simplesmente carregados pelas águas que representam a nossa própria vida. Há quem ingenuamente tente nadar contra a corrente ou, inutilmente, se agarrar em algo. O fato é em nossos pequenos mundos, vivemos diferentes ciclos, fases e momentos… enfim tudo muda.

Recomendo a leitura!

Seguem alguns trechos selecionados:

…conhecer e amar outro ser humano constitui a fonte de toda a sabedoria.

 

Como somos mesquinhos em nossas reminiscências, ao repudiar os sentimentos virtuosos da juventude e recordar apenas a dissipação irrefletida dos longos dias de verão..

 

Quando as pessoas odeiam com toda essa energia, é algo nelas mesmas que elas odeiam.

 

Deixei a ilusão…daqui para frente, viverei num mundo tridimensional, com a ajuda de meus cinco sentidos.

 

Ele apenas não era um ser humano completo. Não passava de um pedacinho de pessoa, anormalmente desenvolvido; algo dentro de uma garrafa, um órgão mantido vivo em laboratório. …Um pedacinho de homem, fingido ser completo.

 

…ao longo de quase dez anos mortos fui conduzido por uma estrada aparentemente cheia de mudança e incidentes…. Mas, apesar desse isolamento e dessa longa estrada em terra estanha, permaneci o mesmo. Eu continuava a ser apenas parte de mim, fingindo ser o todo….

 

Mudar é sinal de vida

 

…cada qual em seu mundo, os pequenos e rodopiantes planetas de nossas relações pessoais”

 

não importa quão luxuoso o hospital e quão bem pago o médico, as dores do parto são inevitáveis.

 

…numa tempestade como esta, as pessoas mostram do que realmente são feitas.

 

sinto que o passado e o futuro nos pressionam com tanta força que não sobra lugar para o presente.

 

…talvez todos os nossos amores sejam apenas sinais e símbolos; palavras soltas rabiscadas nos mourões e calçadas ao longo da árdua estrada que outros palmilharam antes de nós…

 

“Eu disse ao médico, que vinha todos os dias: “Ele tem uma excepcional vontade de viver, não tem?”

“Acha que isso? Eu diria que é um enorme medo de morrer.”

“Existe alguma diferença?”

“Céus, é claro! O medo não lhe dá forças, pelo contrário, esgota-o”.”

 

Afora a morte, ele temia a escuridão e a solidão, talvez por que se pareçam com a morte.

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3 comentários em “Grandes são os abismos, poucas são as pontes….

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